Novos Talentos em Cambridge ou Oxford?

Publicado por historiasderemador em

Por Cesar Seara Neto[1]

Aconteceu nos dias 1º e 02 de abril de 2022, a Etapa 1 do Campeonato Brasileiro de Novos Talentos na Raia da Ilha do Pavão, onde está sediado o Grêmio Náutico União, em Porto Alegre, RS. Mais uma vez, excelente anfitrião que recebeu guarnições do Sudeste e Sul do País. Sentimos a falta das demais regiões do país, mas este não é assunto para esta crônica, porque não conversei com os demais clubes das outras regiões. Suspeitamos que o fluxo de caixa determina o fluxo de atletas a participar de competições.

Convém salientar que o Comitê Brasileiro de Clubes incentiva e patrocina parcialmente a participação de Clubes que fazem parte deste Comitê.

Repetindo o final do ano passado, o Clube Náutico Francisco Martinelli se sagrou campeão desta etapa, com cinco vitórias, contra quatro do Flamengo, o vice-campeão. O GPA ficou com a terceira posição obtendo uma vitória, um segundo lugar e dois terceiros lugar. Centro Português e Riachuelo ficaram na quarta e quinta colocação, respectivamente, cada um com uma vitória, mas o clube de Pelotas teve um terceiro lugar a mais que o Riachuelo. Martinelli fazendo um excelente trabalho de base, como sempre, Parabéns!!!

O nome do troféu de Vice-Campeão é uma merecida homenagem ao Professor Roberto Schulz, pelos serviços prestados ao nosso esporte, ao longo de toda a sua vida. Exemplo de conhecimento, dedicação e sabedoria. O Remo agradece.

Hoje de manhã, assistimos ao vivo a transmissão da tradicional disputa entre Cambridge e Oxford, The Gemini Boat Race 2022. Foi 167ª edição da regata masculina e a 76ª regata feminina.

Impossível não observar uma infinidade de detalhes e grandiosidades:

Nas pontes estavam afixadas faixas de um lado até o outro com o patrocinador gemini.com, que para mim era desconhecido até hoje.

Às margens do Rio Tâmisa, muitos espectadores acompanhando a corrida, a pé, em pé, de bicicleta ou nas varandas das suas casas.

Imagens de drones, vindas de barcos, das margens, comentaristas e repórteres cobrindo em tempo real os acontecimentos.

Antes das provas, imagens dos atletas e técnicos se apresentando tal qual nas lutas de artes marciais, prenunciando que a batalha seria grande.

Ao longo dos 6.800 metros, Oxford colocou uma certa vantagem, mas devido ao trajeto curvo, vários momentos os barcos se aproximaram exigindo do árbitro geral da regata, energia para evitar o contato, dando emoção até o final da prova.

Após a bandeirada final, o voga da guarnição vencedora, Tobias Schröder, um homenzarrão com mais de dois metros de altura, chorou copiosamente sua vitória, mostrando que este esporte é de pessoas fortes, que conseguem demonstrar suas emoções AO VIVO para um público de quase sete mil em todo o mundo.

Mais um ponto alto foi a reportagem previamente gravada e veiculada durante a transmissão, salientando movimento que os britânicos fazem para captar mais participantes, independente de biotipos estereotipados conforme costumamos ver nos atletas, altos, longilíneos e pesados. Não é à toa que o Remo surgiu neste país. Seria uma coincidência Sir Steve Redgrave com suas cinco medalhas de ouro olímpicas, ter recebido o agraciamento da Rainha?

Meninas de várias etnias subindo num four Skiff, com pouca idade, mal podiam segurar os cabos dos remos, mas estavam lá felizes, aprendendo com uma remadora veterana, provavelmente olímpica também.

Mas qual das opções os Novos Talentos aqui no Brasil escolherão: Oxford ou Cambridge?

As meninas escolherão Cambridge e os meninos, Oxford, pois foram os vitoriosos nestas categorias no dia de hoje.

Talvez os leitores estejam diante de mais um sonho meu ainda de olhos abertos, mas para chegarmos até o dia que um atleta daqui poderá escolher em qual das faculdades remará, teremos que comer muito feijão.

Não me refiro somente aos atletas, mas a nós que somos os formadores de opinião, já quase sem cabelos, com barrigas proeminentes, muito diferente de nossas formas físicas que tanto orgulho nos deram, ainda hoje lembradas em nossos #tobetrue (tbt) que costumamos publicar às quintas-feiras.

Para falar de nosso tempo, enchemos a boca de razão e estufamos o peito ao citar que esta juventude não passou o que nós passamos, e graças ao Criador lá em cima, não passarão. Mas onde está o ponto positivo nesta situação?

Devemos aprender a aprender. Novos tempos, novas tecnologias, novos barcos, novas remadas. Cada vez mais velozes. Grita alguém: Claro, com barcos de fibra de carbono! No meu tempo tinha Dois Com, hoje em dia eles não aguentam remar um Dois Sem.

Aqui é onde me refiro! O nosso tempo foi muito bom, bom demais, a ponto de nos dar muita saudade, e é isto que temos que vender para esta juventude que chega. Remar é muito bom.

É bom demais, quem rema ou já remou, sabe que estas palavras que escrevo, por mais apaixonadas que sejam, não tem um infinitésimo de expressão que o barulho do barco tem, da sensação de que o coração vai sair pela boca, depois que se dá a última remada, ou o desespero que nos dá buscando ar para respirar.

Somente falando bem do nosso esporte, mostrando que ele é insuperável em beleza, sincronismo, velocidade, força, resistência e técnica, muita técnica, e que qualquer um pode remar, entretanto, campeões olímpicos surgem somente a cada quatro anos, algumas vezes sobem ao topo por duas edições consecutivas, faremos com que os holofotes da Gemini Boat Race iluminem não somente as águas do Rio Tâmisa, mas todas as águas do nosso país.

Lembrando: para que o poder público e a iniciativa privada tenham interesse no nosso esporte, temos que fazer chegar até eles a mensagem de que é bom. Temos que fazer um corpo a corpo, trazendo amigos, conhecidos, amigos de amigos, multiplicar de forma exponencial nossa mensagem e assistam com seus próprios olhos para que possam sentir a energia, a magia de uma regata a remo.

Quem vem comigo compartilha e comenta #tamujunto.

Assistam as imagens cedidas por Jossiano Leal


[1] Engenheiro civil e segurança do trabalho. Ex-remador peso leve, em nível estadual e regional, atualmente é remador master e participa da direção do @gpa1888 na área de Comunicação Social e Marketing.

Categorias: Crônicas

2 comentário

Paulo V Damiani · 4 de abril de 2022 às 08:53

Olá Seara. Quero parabenizar mais uma vez pela excelente matéria. Em sua explanação extremamente didática, consegue se ter uma ideia da grandiosa competição histórica entre essas universidades, servindo de inspiração e sonhos de muitos atletas. Uma pena que nosso esporte não tenha patrocínios para engrandecer cada vez nas nossos atletas e humanização do esporte.

    historiasderemador · 4 de abril de 2022 às 10:03

    Obrigado pelo comentário. Sempre é bom ouvir os mais experientes. Nosso objetivo é justamente este, atrair mais olhos para nosso esporte.

    Temos que trazer gente de fora do esporte para aumentá-lo, por isto escrevi que devemos falar bem de nós. Fica a pergunta: Se você desconhece algo e escuta de quem está dentro deste negócio, e é conhecedor da causa, que ali é um bando de coitados, que vivem de esmolas, que não é uma classe unida, que as rivalidades dentro d’água são maiores que a racionalidade fora d’água, você teria interesse em conhecer este negócio? (ou esporte)?

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