Peso Leve de Peso

Publicado por historiasderemador em

Por Cesar Seara Neto

Escrever sobre um fato ou sobre uma sequência de fatos é mais fácil quando se presencia, se vivencia a experiência. A rotina do dia a dia muitas vezes acaba consumindo nossa capacidade de observar e analisar os fatos que nos rodeiam.

Para que mais uma vez esta rotina não nos consuma de forma invisível e silenciosa, resolvi escrever sobre esta dupla Peso Leve de Peso do GPA, Isadora Greve e Luana Fagundes, após o bate papo descontraído que tivemos no dia 14/05/2022, de um fã tentando ser imparcial, mas repleto de nuances, detalhes e novidades que aconteceram.

Na minha juventude sempre lutei para ser um remador peso leve, me faltavam quase seis quilos para atingir o peso máximo de setenta quilos, da média de uma guarnição masculina. Eu via meu grande amigo Hugo Seibel numa luta hercúlea para se manter abaixo dos 72,5 kg, peso máximo individual de um remador peso leve.

Ao ouvir os relatos das bravas guerreiras que decidiram baixar cinco quilos cada uma, para disputar o Brasileiro de Barcos Curtos num Dois Sem Timoneiro PL [1], relembrei estes momentos já vividos. Também me vi na faculdade, me esticando ao máximo para conciliar os horários pulverizados , das disciplinas e estágios obrigatórios ao longo do dia, se estendendo até a noite.

A foto das meninas experimentando na boca o doce paladar dourado da vitória, revela os sorrisos de glórias, mas não nos conta os sacrifícios a que foram submetidas.

Rotina de trabalho, horários incompatíveis, treinamentos conforme a disponibilidade individual da dupla, sonhos de meninas mulheres, ou mulheres ainda meninas, parceiras que protegem o flanco da outra, sem descuidar de sua própria guarda, demonstram o que duas pessoas tão distintas conseguem fazer, através de um barco tão técnico, o Dois Sem Timoneiro.

Créditos: Joao Raposo – CBR

Considerando os remos como se fossem canetas, uma canhota e outra destra, ainda assim são capazes de escrever uma linha reta através deste barco esquisito e assimétrico, estranho de se ver e entender sob o ponto de vista da Física e seu equilíbrio de Forças e Momentos.

Reside nesta distinção, a beleza que tento descrever, mas nunca consigo.

A beleza de toda esta história, merece ser contada, com as devidas e necessárias particularidades, que somente as protagonistas conhecem. Apreciem neste vídeo a seguir.

Comentem sobre esta façanha e compartilhem com o máximo de pessoas, afinal, a humanidade merece conhecê-la.


[1] Barco remado por duas pessoas, cada uma com um remo. Considerado por muitos como o mais técnico, devido a assimetria característica a sua construção, exigindo dos atletas um sincronismo perfeito. Na minha opinião, o melhor e mais verdadeiro barco, pois não aceita mentiras.

Categorias: Crônicas

1 comentário

Antônio Farias Filho · 15 de maio de 2022 às 14:22

Parabéns Neto pela materia, e as Remadoras Isadora e Luana, pelo esforço de manter o peso e treinar forte trabalhar para manter a performance.
No meu caso, remava um 2 sem com o Valter (Binha), não existia nos anos 70 a categoria peso leve, nos dois pesavamos + ou – 70kg. Tinhamos que competir na classe aberta (senior) com remadores de 90kg.
Quanto a afirmação do 2 sem ser o barco mais técnico e de não ter remada “fake”, concordo em gênero, numero e grau!!!!

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