Preguiça individual versus êxtase coletivo

As calças e a camisa manchadas de fuligem oleosa indicavam que a inspeção nas linhas de vida haviam sido uma prova de malabarismos, para um engenheiro que completa sessenta anos em menos de uma semana. Equipamentos de segurança requerem uma atenção minuciosa. Pessoas dependem deles para sua proteção.
Eram cinco horas da manhã, horário que eu costumo despertar, quando terminei meu turno de trabalho, prestando serviços para uma montadora de automóveis. Uma das melhores empresas que trabalhei.
Eu tinha duas opções, seguir direto para casa e tirar um cochilo até as oito horas, para depois entrar ao vivo com as meninas do Dragon Boat e transmitir a II Remada Rosa, ou chegar em casa e despertar a minha assistente de bastidores e de palco, promovida a quase um ano, como parceira de treinos na academia.
Tal qual outras vezes ao chegar em Porto Alegre pela Avenida Castelo Branco que margeia o rio, olhei de soslaio para ter certeza de que a água estaria lisa, sem vento. A vontade de encontrar mais pessoas com o mesmo propósito, fazer o barco andar, falou mais alto do que o cansaço.
Remei na contraproa do Oito, famoso número três. Voga e sota-voga da guarnição são ex-atletas, os demais são remadores que começaram a aprender a remar já quando Master. A diferença é que quando jovens somos mais ousados e não temos medo de errar. Sabemos que temos mais tempo para corrigir. Por isso nunca podemos ficar velhos, envelhecer sim, afinal, velho é quem não brinca!
A força coletiva sempre será maior que a nossa individual. Mesmo cansado, não permiti ser egoísta comigo mesmo, ao ponto de me privar do melhor treino da semana, o sábado. Primavera em curso, clube cheio. Sorrisos. Abraços. Causos.
Voltei rápido para casa, afinal, agora uma causa justa me esperava, e pela segunda vez consecutiva, as meninas do Dragon Boat, as Remadoras Rosa do Brasil, distribuídas pelas cinco regiões do país, aguardavam ansiosas para mostrar de forma exibida, com orgulho a camiseta especialmente confeccionada para a II Remada Rosa.
Para o próximo ano, o Desafio será trazer os demais esportes náuticos para a III Remada Rosa, que acontecerá no dia três de outubro, primeiro sábado deste mês do ano de dois mil e vinte seis. Cleusa Alonso, obrigado por te conhecer e me permitir aprender com as meninas rosa. Sim o que vale é a vida, e vida são pessoas.
Dedico este texto ao meu pai, que mais uma vez se supera e nos brinda com sua melhora, e a minha mãe que amanhã, dia seis, completa oitenta e um anos.




0 comentário