O show tem que continuar

Publicado por historiasderemador em

Por Cesar Seara Neto

É difícil afirmar onde está o encanto do remo, o movimento dos barcos, a sincronia da guarnição ou as disputas. Entretanto é fácil afirmar que o remo acontece graças as pessoas, e é para as pessoas que ele é feito, ou melhor, praticado.

Os atletas são a parte mais importante, casco e remos são objetos que só tomam contornos diferentes graças a estes protagonistas.

Nesta semana a comunidade náutica e esportiva ficou perplexa com a notícia envolvendo um dos maiores clubes do Brasil, o Flamengo, quando se desfez do herói olímpico da canoagem, Isaquias e da sua equipe paralímpica de remo.

Não conheço o campeão olímpico, ainda não tive esse privilégio, mas os paratletas já tive a honra de apertar suas mãos calejadas enquanto treinavam vestindo a camisa da seleção brasileira.

Foi uma comoção geral. Eu fiquei tocado, chateado, mas a cabeça não parou de pensar nos reais motivos que o presidente Bap teve para fazer uso do poder da caneta. Como não tenho a menor ideia, tampouco vontade de buscar as causas, me limito a analisar o que consigo enxergar.

Qualquer esporte só existe se houver disputa. Quanto maior essa, maior a torcida. Mas será que é isso que encanta as pessoas hoje em dia? Golias na sua sabedoria humorística dizia que quando apresentam um artista, jamais se deve pedir a famosa salva de palmas. Se é preciso de ajuda externa, é porque o show não é bom.

Sei que sou insistente, todas as semanas venho aqui incomodar a tranquilidade das pessoas ao fazer uma venda técnica do remo para os que ainda não conhecem o mais belo e completo de todos os esportes. Porém, cada pessoa nova atingida por essa mensagem, é mais um consumidor da nossa empresa que já teve suas ações colocadas a venda, mesmo que essa não fosse nossa intenção.

Nossas paixões clubísticas quase nos impedem de enxergar a beleza do esporte em si, e muitas vezes não agimos de forma racional, e não percebemos que precisamos nos posicionar de forma positiva elogiando o remo, deixando para lavar a roupa suja dentro de casa.

Não adianta aparecer como vítimas para que sintam pena de nós e atirem esmolas nas nossas sacolas vazias. Temos que abrir nossos corações e principalmente o sorriso, para receber cada vez mais praticantes, torcedores e apoiadores.

Categorias: Crônicas

2 comentário

Acácio · 10 de janeiro de 2026 às 21:55

Realmente, Seara, apesar das grandes dificuldades para sua manutenção, o show do remo tem que continuar.

Anderson Luiz Oliveira Paixão · 11 de janeiro de 2026 às 18:56

Ridículo isso ai.
Toda federação estadual deveria ser obrigada a manter pelo menos um projeto paralímpico. Seja ela do remo, vela, canoagem, sup, Canoa havaiana…
Isso para não pedir muito. Senão o ideal seria cada clube ter vagas para atletas PCDs.
Já ia me esquecendo.
Aquela situação dos olímpicos representarem as forças armadas. E os paralímpicos? Porque ainda em 2026 nenhum está nesse ou em outro programa com as forças armadas?
Outra vez falei com uns lá, no RJ, sem citar sobrenomes lá da marinha, sobre o assunto. Foi antes do Rio2016. Falaram que o paralímpico não pode engajar… Bla bla bla.
É discriminação e ponto. Vamos virar esse século discriminando o pessoal com Deficiência?
Já viram qual percentual da população Brasileira tem algum tipo de deficiência?
Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o que representa 7,3% da população com dois anos ou mais.
Tem que ter consciência nesse ponto.
Não a discriminação.

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