The Godfather

Publicado por historiasderemador em

Por Cesar Seara Neto

Falar bem do seu próprio pai pode parecer tarefa fácil. O difícil é encontrar os adjetivos para alguém que amanhã, vinte um de maio, completa oitenta e quatro anos e vive buscando conhecimento através de muita leitura e viagens por quase todos os continentes. Há que se levar em consideração a relação filho/pai, de modo a manter a razoabilidade no meu depoimento.

Quando uma homenagem é prestada, tendo partido de fora da família, podemos afirmar que se baseia mais em substantivos, do que em adjetivos.

O sábado que iniciou nublado e prometia ser frio, se tornou num caloroso (re)encontro de amigos de mais de quarenta anos. O título honorifico concedido ao Cesar Seara Júnior pela Confederação Brasileira de Remo foi um dos momentos mais emocionantes que vivi. Momentos como esse não apenas massageiam o ego das pessoas, como nos proporciona uma excelente oportunidade para refletir sobre o que foi feito e como aconteceu, como foi construído.

O atleta é o centro do esporte. Quem deseja vê-lo crescer, deve mirar naqueles que suam a camiseta e treinam para fazê-lo da melhor forma. O atleta precisa de reconhecimento. Para tal, precisa ser visto. A preparação pode ocorrer de forma anônima na escuridão da madrugada, mas a láurea deve ocorrer na melhor luz do dia, com a presença do público.

Esses dois pilares foram o que aprendemos com o meu pai: o atleta e o reconhecimento dele. Nada melhor do que eventos agradáveis, organizados com a presença de disputas acirradas, e, aplausos.

Revemos muitos rostos queridos, outros não compareceram. A vida é assim, encontros e desencontros. Citar nomes é cometer gafes, mas citarei apenas dois que para mim, marcaram essa passagem.

Toninho Vilela com dois apoios, um em cada mão, se recuperando de uma cirurgia no quadril. Compareceu ao chamado de última hora para a entrega da placa. Há quarenta anos a cena era parecida, mas quem entregou a homenagem foi meu pai.

A outra presença que não havia sido confirmada, mas apareceu “do nada”, foi Francisco Kramer, potiguar que chegou em Florianópolis no ano de mil novecentos e oitenta e dois, mediante convite do meu pai para ser o técnico do Aldo Luz, quando era presidente do Clube. Além do que construiu dentro d’água, se estendeu para uma bela amizade em terra.

Ver o meu pai sentado, rodeado por “seus atletas” e “comandados” foi pura emoção que fez os três Seara deixar as lágrimas cair. Um abraço especial ao meu irmão Du, esse sim, o mais fera em remo de todos nós, brilhou ao ler o discurso do pai, incluindo de improviso minha irmã Cláudia nos agradecimentos, e principalmente, na organização do encontro nos bastidores. Ele sabe ao que me refiro.

No dia seguinte meu pai enviou a seguinte mensagem para a Gica, minha assistente de bastidores e palco:

– Nunca pensei em receber tantos cumprimentos e deferências. Senti-me como Marlon Brando no Poderoso Chefão.

Encerro com a frase que ouvi no carro quando saímos do Parque Náutico para o almoço com a minha mãe:

O remo uniu muito nossa família.

Algumas fotos do Joaquim Lopes Correa Neto, o Ameba.

Categorias: Crônicas

9 comentário

Cesar Seara · 20 de maio de 2026 às 17:13

Um elogio uma homenagem, sem palavras

Joaquim Ameba · 20 de maio de 2026 às 17:24

Foi de mexer até com os mais fortes e resistentes.
De grandiosa simplicidade, para cada aperto de mão, uma história foi rapidamente narrada, com a memória que muita gente jovem nem chega perto.
Parabéns ao Searão.

    historiasderemador · 20 de maio de 2026 às 17:47

    Tuas lentes captam a essência da emoção. Teus registros tornaram o evento ainda maior.

      CLAUDIA SEARA-GALVEZ · 20 de maio de 2026 às 21:36

      Foi realmente muito emocionante. Apesar de ter assistido de tão longe, lembrei muito das regatas e das bagunças que presenciei nos anos 80.
      Prêmio mais que merecido ao nosso pai, visionário e inovador durante seu tempo no remo.
      Linda crônica!

ENIO ROBERTO GONCALVES FERREIRA · 20 de maio de 2026 às 17:31

Parabéns ao Seu Seara. Justa e merecida homenagem a quem tanto deu ao remo catarinense e brasileiro e que contagiou os filhos. Os frutos não caem longe do pé.

    historiasderemador · 20 de maio de 2026 às 17:38

    Obrigado Enio. A grande história do meu pai foi justamente ter entrado para o esporte quando eu comecei a remar. Aos poucos ele foi levando meu irmão, e quando percebemos, a família toda estava envolvida.

Rosane · 20 de maio de 2026 às 17:39

Pena, nao pude participar… mas tenho um carinho gigante pelo Profe e por toda familia. Homenagem mais que merecida. Amanha dia 21/05 eu recupero o meu abraço perdido! Voces são muito especiais.

Marcelo Galego · 20 de maio de 2026 às 18:37

Teu Pai foi dirigente ícone em Santa Catarina. O que começou acompanhando os filhos, levou à um dos maiores dirigentes do Estado. Pensava muito “fora da caixa”, pois suas gestões foram diferenciadas.

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