Elas por ela

Publicado por historiasderemador em

Por Cesar Seara Neto

Talvez ao terminar de escrever esse texto, ou de publicá-lo, o resultado da 1ª Copa SABESP já seja conhecido. Não quero discorrer sobre a guarnição campeã, mas sobre o que esse evento representa.

Nove estados se mobilizaram de Norte a Sul: Pará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Espírito Santo, Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Argentina com sus hermanas como convidadas completam as dez guarnições que compuseram as quartas de final através do método de tomada de tempo, para quem é mais rebuscado, time trial.

Remadoras da categoria júnior remando em barcos com atletas master e sênior, mostrando que sim, elas têm força, não só para tocar o barco, mas para mobilizar a comunidade do remo.

Processos seletivos foram realizados para compor os barcos representando suas respectivas federações. Sábia decisão ao valorizar essas entidades, hoje vistas como meros entes burocráticos. Relembro os anos oitenta quando viajávamos de ônibus, com um único agasalho que servia para nos distinguir dos meros mortais que nos olhavam admirados. Remar com atletas dos clubes adversários era um aprendizado que fortalecia o esporte.

Houve estados que colocaram as meninas sentadas nas máquinas de remoergômetro para enfrentar os temidos testes de dois quilômetros, o famoso 2k. Outros optaram por colocar seis pares de remadoras no barco mais desafiador de todos, o dois sem timoneira (feminino de propósito).

Amazonas, Bahia, Paraná e Sergipe não estiveram presentes nessa primeira edição da Copa, que chega anunciando uma parceria com a SABESP até 2029. Eventos de remo de praia no belíssimo litoral do estado de São Paulo fazem parte desse patrocínio.

Além de medalhas, as vencedoras receberão prêmios que serão guardados nos bolsos, pilas, bufunfa. Critérios para a utilização desse recurso no próprio esporte foram definidos.

Acompanhei um pouco da movimentação delas pelas redes sociais, algumas postagens pessoais, outras das federações, mas o entusiasmo e a coragem de enfrentar o desafio, foi o que mais me chamou a atenção.

Pensar que os Jogos Olímpicos iniciaram no cerrar do século XIX, mas apenas na segunda metade do século XX, elas tiveram o merecido reconhecimento para disputar as provas com o brilhantismo peculiar das remadoras. E agora, no século XXI elas ganham seu momento aqui no Brasil, e nós, servos fiéis nos curvamos e reverenciamos nossas rainhas, em alguns casos, remando com princesas ainda. Não posso deixar de citar o fato de mãe e filha sentadas num mesmo barco, uma delas como timoneira. A filha com cabelo azul.

Go$taria muito de ter ido a $ão Paulo para tran$mitir esse marco histórico, ma$ me faltou planejamento. De$culpem menina$.

Peço que comentem AQUI no site. O que me move é promover o debate, conhecer novas opiniões. Isso nos fortalece.

Categorias: Crônicas

12 comentário

ROBERTO MULBERT · 24 de maio de 2026 às 12:05

Boaaaaa, avante meninas guerreiras!!!!
Muito boa a crônica, Seara Neto

JULIANA TEIXEIRA GRUNHAUSER · 24 de maio de 2026 às 12:09

Dale, gurias!
Belo texto, Seara.

Fernando Oliveira de Miranda · 24 de maio de 2026 às 12:54

Muito bom, Seara! Misturar atletas de clubes diversos é muito legal, uma experiência muito engrandecedora.

Fabrício Tomaz · 24 de maio de 2026 às 15:55

Entendo que fica até chato parabenizar seu trabalho e cada texto, imagem e publicações diversas. Mas… meus parabéns, Seara. E você não é o único que gostaria de presenciado “in locco” uma página tão importante da história do remo sendo escrita. Posso estar enganado, mas creio que a atleta mais jovem com uma caneta (digo, remo) na mão é a voga do 8+ capixaba. Remando como gente grande, Alice Tomaz (14 anos) fez bonito com suas companheiras. Há de se confirmar, mas rádio garagem informou que havia uma outra jovem de 70 anos competindo também por outra federação. Estes dois exemplos já dizem mais do que é preciso. Caminho sem volta! Parabéns ao remo brasileiro pelo grande feito.

Luiz Felipe da Silva · 24 de maio de 2026 às 22:32

Como sempre brilhante e sensível a cada detalhe! Parabéns, meu amigo Seara. Foi um evento que fica na história e como o amigo fala, “histórias que as medalhas não contam”. Um remo feminino heterogêneo, com atletas de 14 a 60+ foi a real beleza deste esporte e o quanto é possível sim nos unir, basta querermos e tornar essa energia uma frequência… Muito obrigado pelo olhar atento e ser esse entusiasta que você é! Grande abraço, meu amigo

    historiasderemador · 25 de maio de 2026 às 11:11

    Prof. Toninho “Naco” Farias vaticinou: “o mundo será dominado pelas mulheres”. Tomara que a profecia dele aconteça o mais breve possível.

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