Teimosia ou loucura?

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Por Cesar Seara Neto

Aos poucos a ficha começa a cair. Não sei se é o avanço do calendário no segundo semestre, ou se por eu ler no mural de feltro verde um plano de treinamento, onde aparece a palavra MUNDIAL.

É, o franzino peso leve que um dia insistiu se imiscuir no meio dos grandes, agora precisa arcar com as responsabilidades que os ímpetos nos proporcionam. O destino é Bled, Eslovênia, a raia que consagrou Fabiana Beltrame como campeã mundial. Mas eu fico me perguntando se é realmente esse lago de águas cristalinas, encrustado no vale de lindas montanhas calcáreas, o que me move a atravessar o Atlântico.

Esse talvez seja o motivo de vários amigos que para lá viajam, entretanto, minha passagem tem destino até Stuttgart, Alemanha. Lá encontrarei meu amigo Hugo, onde colocaremos o Dois sem n’água para mais uma aventura. Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo foram nossos campos de teste. Eu falo de algo que aconteceu na adolescência. Lá se vão mais de quatro décadas.

Mike Wazowski disse no filme Monstros S.A., “eu não acredito, eu estou na tevê”. Agora sou em quem digo, “eu não acredito, eu vou remar na Alemanha!”, o país de Johannes Wüjanz e Erwin Krakau, nossos técnicos na década de oitenta, quando ainda eram duas Alemanha.

A verdade é que eu estou me lembrando da última viagem que fiz com o Hugo. Uma mochila nas costas e uma barraca. Percorremos uns cinco ou seis mil quilômetros cruzando Argentina, Chile e Uruguai de ônibus, trem, navio e caronas, muitas caronas na carroceria de caminhões. Trezentos dólares era o que cada um tinha no bolso para passar trinta dias. Aquilo sim foi uma aventura no final do ano de 1986.

Os treinamentos têm sido interessantes, remo longo intercalado com tiros de velocidade e lógico, os circuitos com peso para fortalecer os músculos que são raros num sexagenário calvo como são os Seara.

Mas nem tudo é glamour. Há que suar muito a camiseta. A competição é disputadíssima, dentro d’água e principalmente fora d’água. Pagar em Euros passagens aéreas, estadia, inscrições e aluguel de barco, tem exigido muito desse engenheiro profissional liberal.

Quem está lendo esse texto deve estar se divertindo, e posso garantir que o prazer será ainda maior ao ler o meu livro Histórias de Remador, um simples PIX de apenas dois dígitos te garante um exemplar entregue em teu endereço com uma dedicatória personalizada. Se você já leu, sabe que é um excelente presente, assim todo mundo ganha, você, eu, o presenteado e até o remo, o mais belo e completo de todos os esportes.

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PS. A Gica, minha assistente de bastidores e de palco disse que o texto está divertido, mas ao final pareço um cigano, quanta cara de pau. Acho que consegui o que queria.

Categorias: Crônicas

2 comentário

Hugo · 19 de julho de 2026 às 14:51

Impossível não comentar esse belo texto, com tantas memórias que construimos juntos! Creio que as aventuras, tanto passadas como futuras, nos mostram o valor dessa amizade. Traduzi o texto para ucraniano para compartilhar com minha esposa. Estamos ansiosos pela chegada de vocês, Neto e Gica, para darmos sequência aos próximos capítulos dessa história!

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