Um ippon para o remo

Publicado por historiasderemador em

Por Cesar Seara Neto

Aguardar o momento certo para realizar algo planejado, é um aprendizado que deve ser treinado. Isso é paciência. Planejar e acompanhar o desenvolvimento de ações para se chegar a um objetivo, isso é disciplina.

Conversar com alguém que conhece cento e vinte e três países, é uma experiência que todos deveriam ter. Viajar tanto assim é difícil, mas quando se encontra alguém abençoado com tanta quilometragem, devemos aproveitar.

O bate-papo com Ney Wilson nessa quinta-feira me encheu de alegria e esperança, para um sonhador como eu, a conversa serviu como água e sol para a semente. Vejo o remo germinando mais uma vez. Meus olhos brilharam. Já enalteci algumas vezes uma qualidade que entendo ser fundamental nas pessoas, a simplicidade. Não convém confundir com falta de educação. O convidado é um grande ouvidor, característica fundamental das pessoas polidas.

Saber ouvir é processar palavras, criar modelos mentais, desconstruir problemas e construir soluções. Como ele lida de forma tão fácil com situações complexas! Conquistou a faixa preta na arte marcial mais praticada e conhecida no mundo com apenas dezesseis anos. Sinal de maturidade. Disciplina. Hierarquia. Conciliar essas duas palavras, para mim é sabedoria.

Um profissional frio, calculista, mas extremamente humano. Se alimenta das emoções das pessoas como combustível para suas ações e decisões. Ao ser questionado sobre o que encontrou de mais estranho no mundo do remo, me disse: “o grande número de apaixonados pelo remo”. Começando pela tríade de jovens que buscaram as eleições da Confederação Brasileira de Remo, e o trouxeram para esse desafio.

Alguém que carrega nos seu histórico de treinador e dirigente, dezesseis medalhas olímpicas, não precisa provar mais nada para os outros, mas para alguém que carrega o olimpismo nas veias, o limite é sempre a próxima medalha.

Ouvi seu discurso para os atletas quando terminou uma competição internacional, alguns sentados ao chão, outros de pé. Todos com a camisa azul, verde e amarelo da Seleção Brasileira. Como não fui convidado para a reunião, e mesmo que tivesse sido, não poderia reproduzir suas palavras. Não tenho procuração para tal. Porém, de certa forma, ele reiterou seu discurso, agora de forma pública no bate-papo, o link está ao fim desse texto.

Se eu tivesse que resumir suas lições, diria que a mais importante mensagem que ele multiplica a todos os trabalhadores da CBR: “a confederação tem que trabalhar PARA o atleta e PELO atleta”.

De forma clara e transparente ao responder uma pergunta sobre o sonho olímpico, afirma: “é possível, mas é necessário que seja coletivo. Não pode ser de forma individual”.

Gostaria de agradecê-lo pela oportunidade que nos proporcionou. Ao me corrigir ao vivo, demonstrou educação e sabedoria. O ippon é o objetivo no judô, o golpe perfeito que dá a vitória ao atleta. Dessa forma, o nome correto da nossa LIVE é dizer que essa gestão trabalhará de tal modo a dar Um ippon para o remo.

Vale a pena conferir. Eu já assisti novamente.

Categorias: Crônicas

4 comentário

Acácio · 2 de maio de 2026 às 19:12

Sem dúvida o atleta é o grande protagonista em qualquer esporte, Seara. E mo remo não poderia ser diferente.

Fabrício Lobato Tomaz · 2 de maio de 2026 às 19:17

Mais uma excelente matéria sobre mais uma excelente entrevista. Bom demais saber dos desafios que o remo tem vencido. E digo mais…. que todos tenham coragem para aprender e disposição para acompanhar!! Desejo sucesso! Mas o caminho é longo e deve ser percorrido com cautela.

Andre Baracuhy · 2 de maio de 2026 às 21:52

Que bela entrevista Neto, dando esperança de novos tempos, com profissionalismo e organização, valorizando os atletas, ficamos na torcida como grandes apaixonados pelo esporte do Remo que somos.

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