Amor de mãe

Publicado por historiasderemador em

Por Cesar Seara Neto

O ano era mil novecentos e oitenta e um. Hugo e eu participávamos de eliminatórias para assim poder vestir pela primeira vez a camisa da Federação de Remo de Santa Catarina, FERESC. A competição era os Jogos Escolares Brasileiros, JEB’s. Uma forma democrática de incentivar o esporte e a cultura na juventude. Bastava vencer mais uma prova disputadas em melhor de três, para conhecer Brasília, a Capital Federal. Trinta e seis horas dentro de um ônibus valeram a pena.

Minha mãe não costumava frequentar a garagem do Clube. As mulheres estavam tentando o seu merecido lugar no remo. De vez em quando em regatas importantes ela comparecia. Nem por isso ela era ausente, pelo contrário, todos os dias ela acompanhava os nossos treinos de forma remota, telepática, característica única e exclusiva de mãe.

A Dona Regina é uma figura. A mais engraçada de todas. Suas histórias são fantásticas, dentre bilhões de pessoas no mundo, somente com ela as coisas acontecem daquele jeito. A melhor parte é ouvi-la contando seus feitos. Sempre de forma hiperbólica, constrói frases como “três metros de ombro”, que solta assim, largada de forma desconexa no texto, me puxa o sorriso no canto da boca.

A eliminatória aconteceu num dia de semana, a partir das sete da manhã na Baía Sul.o Riachuelo tinha um dois sem forte, Paulo Cordeiro, hoje Dr., e o Magrão (Rogério Nascimento?). Acho que pelo Martinelli estava o Rogerio Füllgraf e o proa não me lembro.

Cruzamos a linha de chegada à frente dos demais. Olhei para a terra e vi uma Belina Dois branca estacionada e uma mulher muito parecida com a minha mãe, pulando e vibrando muito. Pois não era ela? Voltava do continente da casa da minha avó paterna, avistando de cima da Ponte Colombo Salles os barcos, reconheceu o galego Hugo na voga e eu na proa.

Esse é apenas um dos seus inúmeros feitos que carrego nas minhas lembranças. Eu fui criado achando normal o excesso de carinho e afeto que ela sempre dedicou aos seus filhos. Exemplo!

Próximo fim de semana estarei em Florianópolis para celebrar o título honorífico que meu pai, Seara Jr., receberá como emérito, oferecido pela Confederação Brasileira de Remo no sábado, dezesseis de maio, às nove horas no Parque Náutico. Já imagino o almoço que teremos com ela, agora feito por nós, como retribuição de tudo que ela já fez, relembrando os bons tempos idos.

Domingo a transmissão de mais uma etapa do Campeonato Catarinense de Remo.

Beijo para todas as mães.

Categorias: Crônicas

5 comentário

Renata Esmanhotto · 10 de maio de 2026 às 16:58

Linda homenagem à sua e a todas as mães!!!!!!

Antônio Farias Filho · 10 de maio de 2026 às 17:06

Neto, você é exelente na escrita, sai falando da sua Mãe com doação de todo amor incondicional que vocês filhos receberam e termina com o Convite para dia 16/05 – 9h no Parque Náutico com junto recebimento de seu Pai da grande e justa homenagem da CBR.
Estaremos presente!!!

Juscelino Nunes · 10 de maio de 2026 às 17:24

Parabéns dona Regina pelo dia das mães e pela bela criação

Andre Baracuhy · 10 de maio de 2026 às 19:55

Lembro uma história da querida Tia Regina, quando eu era Juniores e estava competindo contra o teu irmão, Eduardo Seara, ganhei a prova e ela saiu me chingando, kkkk falando que eu era muito grande para remar contra o Dú, bons tempos.

Joaquim Ameba · 11 de maio de 2026 às 08:09

D. Regina fez um excelente “trabalho” na função.

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