A onça avonça

Publicado por historiasderemador em

Por César Seara Neto

Ainda faltam alguns dias para começar a World Master Regatta e eu já estou em êxtase. Criança quando ganha um brinquedo fica feliz. Eu não sei qual ganhei. Talvez tenha sido conhecer o Cannstatter Rudernclub, ou remar num Empacher de vinte e cinco anos que parece novo, ou teria sido remar no Rio Neckar?Na verdade estou feliz por ter me permitido voltar a ser criança. Viajar para encontrar meu amigo Hugo não tem preço.

Neste sábado fizemos nosso último treino aqui em Stuttgart e nos desafiamos a dar dois tiros de 500m num rio muito sinuoso, com regras rigorosas de navegação. Barcos a remo é navios convivem muito bem. Itens importantes são transportados pelas águas. A economia local depende um pouco desse movimento fluvial.

Eu tinha certeza de que conseguiríamos remar, sincronizar esforços e voltar a ser uma equipe. Quando adolescentes tudo era mais fácil. Joelhos dobravam, as gorduras não sobravam.O primeiro dia de remada nos deu momentos de sorrisos, ao mesmo tempo que a nostalgia pela juventude se misturava ao barco. A dúvida pairava no ar. No dia seguinte, a remada foi tomada pela racionalidade. Remos pareciam não se encontrar. O treino foi mais demorado. Frases foram trocadas. Terminamos o dia convictos de que havíamos evoluído, mas já sem o mesmo sorriso do dia anterior. Sabíamos que melhorar não era mais uma vontade, mas uma necessidade.

Hoje, sábado, o caminho para o clube estava mais vazio. Fim de semana não combina com trabalho, mas lá estávamos nós abrindo o clube e colocando o dois sem na água. O aquecimento foi menor, tranquilo, sem preocupações, dando o tempo que merecemos para voltar a tricotar a mesma linha, cada um segurando sua agulha.

Alinhamos para 500m. O rio quase parado. A paisagem ainda verde em ambas as margens dava um contraste ao céu cinza que havia chovido na madrugada, mas que aos poucos se abria para o sol.Éramos somente nós na água, lembrando das dez remadas que outrora demos sob a Ponte Hercilio Luz, que fez o Prof. Joel Cardoso nos afirmar que haviam sido as melhores que já demos. O barco andou. Andou muito. Muito mais do que imaginávamos que andaria. É o suficiente? Sabemos que não, mas em Bled no dia da prova, a adrenalina será outra.

Acredito que o tempero especial do dia, foram as risadas que demos em cima do barco lembrando da onça que “avonça” e caminha por entre folhas. Há tempos não me lembrava quão bom é o riso juvenil.

Categorias: Crônicas

7 comentário

Antônio Farias Filho · 6 de setembro de 2026 às 09:28

Que legal Neto, reencontrar um Amigo Remador e parceiro de barco na juventude. E o mais importante é defender o nosso Brasil neste Mundial!!!

Antonio Ricardo Lanfredi · 6 de setembro de 2026 às 12:03

Bora Seara!
Vai compartilhando a tua viagem e nós, aqui no Brasil, viajamos com você.
Abração

Joaquim Correa · 6 de setembro de 2026 às 13:58

Conhecendo vocês de longa data, até nós, lendo isso, estamos rindo.
Que curiosa é a vida que nos afasta e nos aproxima de pessoas que nos são diletas, com a sensação de que a distância nunca removeu as boas memórias e o valor do reencontro.
Tem o remo, o treino para a disputa, mas o elemento humano é que permite que tudo se interconecte.
Manda um abraço para o “Cobaia”.

Hugo Seibel · 7 de setembro de 2026 às 17:29

Encontrar e remar contigo, Seara Neto, não tem preço! Abraço, amigo, em breve serão mil metros em Bled!

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