Batoré

Publicado por historiasderemador em

Por Cesar Seara Neto

Decidi esperar o encerramento da Regata Pré-Olímpico para escrever a crônica semanal, mas mantive o título que surgiu após a conversa com um dirigente durante a semana. No transcorrer do texto será mais fácil entender.

Descobri nesta conversa o que nós remadores valorizamos, não é a glória de nossos êxitos, mas sim o tamanho do nosso sofrimento.

Acredito que tenha sido Paulo Cesar, de sobrenome difícil escrever sem consultar os anais do Remo, o singlista que conseguiu o mesmo feito de Lucas Verthein em Moscou, nos Jogos Olímpicos de 1980. Ele contou que certa vez o saudoso técnico Arnaldo Brandt questionou o desempenho de uma guarnição que não conseguiu chegar à frente dos demais. Arnaldo disse, não cobro a vitória, mas sim o tamanho da luta (*).

Nestas linhas quero valorizar a luta de todos atletas que participaram desta regata, onde brigaram para poder representar seus países em Paris 2024. Nem todos lograram realizar este sonho, mas em especial aos atletas Peso Leve, Manu e Isa, Piedro e Evaldo, fica aqui minha reverência a estes gigantes de músculos, ossos e pele, alma e coração, por tudo que representam dentro d’água, os trabalhos de muitas equipes, Clubes, Federações e a Confederação. Não é fácil a logística para treinar os melhores de um país continental como o Brasil. A todos os profissionais, amigos e familiares envolvidos, meu apreço e admiração.

Nunca vesti a camisa da seleção brasileira, mas todas as vezes que Ouviram do Ipiranga começa a tocar, o mesmo nó na garganta que o durão Sady Berber teve que engolir em seco, me desce goela abaixo ou transborda nos olhos como lágrimas.

Assisti com muita emoção ao filme da Bia Tavares recebendo sua medalha. Ela esteve no canal do YouTube em janeiro de 2022, e me agradeceu por trata-la como Renovação já madura no esporte. A sua participação naquela LIVE, se deveu ao fato de que ela voltava a se destacar em cima do seu barco. Dois anos depois ela confirmou que não estava para brincadeiras. Prata no Pan ano passado, agora numa Olímpiada, junto com seu companheiro de Clube, o Botafogo, Lucas Verthein, que mobilizou a nação por ele em Tóquio, e voltou a dar show na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Agora resta saber se nós críticos por natureza, conseguiremos nos desvencilhar do paradoxo de Batoré[1], quando pensamos se é bonito ser feio, nos momentos que enaltecemos o que não dá ou não deu certo, ou se abrimos nosso peito, escancarando nossas veias brasiliensis e admitimos que somos torcedores natos, apaixonados e esperamos pelas medalhas que Bia e Lucas trarão na bagagem.

Créditos das imagens: Satiro Sodré/CBR


[1] Ivanildo Gomes Nogueira, mais conhecido como Batoré, foi um futebolista, ator, humorista, apresentador e político brasileiro. Dizia: Você pensa que é bonito ser feio?

(*) – Quem narrou esta história foi José Luiz Emerim


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