A ansiedade como professora

Publicado por historiasderemador em

Por Cesar Seara Neto

Eu conheci uma turma de boleiros aqui em Porto Alegre, acabei me tornando amigo, ao ponto de eles permitirem que eu vestisse o colete azul ou amarelo, e corresse atrás deles que sempre conduziam a bola. Os joelhos acabaram, a amizade não.

Reencontrei um dos líderes do grupo para um papo sobre a vida e suas coisas. A conversa fluiu como sempre e chegamos a uma triste conclusão, os relacionamentos interpessoais já não mais existem de forma real, apenas virtual, onde pessoas se isolam, e sozinhas, convivem com suas ansiedades. Mas o que isso tem a ver com o Remo?

Foi nesse esporte que aprendi com o professor Joel, a conviver de forma positiva com a vontade de ganhar, de competir, aquele frio na barriga antes de uma regata.

Mais importante do que a curta duração da prova, era o tempo que despendíamos nos árduos treinamentos, quando exercitávamos o psicológico nos infindáveis treinos longos. Lembro que os carrinhos de madeira maciça, não tinham os dois orifícios que tem hoje em dia, exatamente onde se apoiam as nádegas, para não escrever bunda.

Aquele atrito sempre arruinava a pele. Aquilo machucava e incomodava, com o passar do tempo, a concentração começava a ficar prejudicada devido a um mísero ponto, capaz de te fazer levitar sobre o carrinho, para não te tirar do sério.

Lembro dele dizendo, você tem que estar com vontade de ganhar, de saber que vai fazer o que treinou, mas não pode deixar essa ansiedade dominar seu pensamento, ao ponto de contaminar seu corpo.

Após trinta remadas fortes da largada, ele dizia, teu organismo enviará mensagens ao teu cérebro, e parecerá que você sucumbirá àquela provação. Não é possível fugir dessa situação, você terá que enfrentar, remar forte e ter paciência para que a transição da largada para a voga de percurso, seja natural, mas para isso, você terá que ter plena consciência disso, e somente treinando, terá sucesso.

Remar é isso, conviver com a ansiedade, e transformá-la na sua maior arma, seu maior aliado. Uma das formas para combate-la, é estar em sincronia perfeita com sua guarnição, mas isso só ocorre, se você estiver no mundo real, não no virtual como agora, lendo mais esse meu texto.

Categorias: Crônicas

2 comentário

MARIO · 15 de dezembro de 2024 às 06:54

Ainda não esquecendo que no remo como na pelada(futebol) além de exercitarmos o corpo encontramos a parceria que nos faz voltar para o sofrimento de cada suor ou dor. Tentamos e as vezes numa ou outra remada do dia fomos extraordinários no barco e outras nem tanto, mas essa relação que no faz melhores dos que ficam parados. Felicidades na finaleira do ano 2024 que foi muito complicado para nosso remo gaúcho e que 2025 entremos de pé direito na pedaleira e sejamos melhores amigos, tenhamos novos amigos e busquemos sempre servir a boa causa. Muita luz, muitas felicidades e muita saúde a todos. Bora remar!

    historiasderemador · 16 de dezembro de 2024 às 10:32

    Grande amigo Mário. Podes estar certo que a tua energia positiva é um dos fatores que nos fazem ir treinar (quase) diariamente!

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