Segundo milésimo centésimo septuagésimo nono

Depois de muitas promessas mútuas de irmos ao famoso almoço dos Ilheiros no União, Roennau e eu, pegamos a balsa das onze e trinta rumo a Ilha do Pavão. Já escrevi mais de uma vez, que todas as viagens que faço nela, é como se fosse a primeira vez em mil novecentos e oitenta e um.
A tradição deste almoço começou no ano de mil novecentos e oitenta e dois, e seu principal articulador foi “Seu” Edu João de Deus. O rito é registrado a punho por cada um dos presentes nos famosos livros ata. O almoço foi o de número dois mil cento e setenta e nove.
A cerimônia, se podemos chamar assim, agora é conduzida pelo filho do “Seu” Edu, Luís João de Deus, que começou lendo palavras previamente escritas, inclusive citando meu nome, e enaltecendo a importância de um evento semanalmente realizado, desde a primeira edição, de forma ininterrupta.
Almoçar em casa é um privilégio para poucos no mundo moderno, mas almoçar, é uma necessidade para qualquer ser humano. Por que pegar uma balsa nas quintas-feiras, sentar-se ao redor de extensas mesas e comer uma refeição preparada com esmero, como se fosse feita pelas nossas avós? Seria este o motivo? Talvez. Mas o real motivo, é o encontro despretensioso de amigos de longa data, que firmaram um compromisso de honrar o que seis amigos infantes fizeram no ano de mil novecentos e seis, quando fundaram o União, porque eles queriam apenas “remar”.
Eu tive o privilégio de me sentar ao lado do Cabeça, vulgo Marcelus Marsilli, um dos nomes mais importantes do remo do Brasil, com sua simplicidade contagiante, contou algumas histórias divertidas, outras necessárias. Num dos almoços ocorridos, ele foi o mestre de cerimônias relatando a pauta do dia. Terminada sua fala, encerrou as breves palavras que são ditas antes da comida, esquecendo de passar a palavra ao Presidente do União, Ricardo Rodrigues Alves.
Mas ele é um cara inteligente, mesmo mais de meio século de vida, aprende fácil. Terminada a fala do Luís, já apontou para o Sr. Ricardo, dando a deixa. Alves enalteceu a importância do Grêmio Náutico União na sociedade e economia do Estado, fato citado no encontro promovido pela Associação Gaúcha de Supermercados.
Espero poder participar deste encontro, tão rico em histórias, pensamentos e energia que mantém o mais belo e completo esporte dentre todos.
“Dia virá que se há de reconhecer a grandeza dos serviços que os clubes de regatas estão prestando ao Brasil.” Olavo Bilac (1865-1918).

2 comentário
Ricardo · 23 de agosto de 2025 às 07:12
Muito legais estas tradições nos clubes que são mantidas através de gerações. Ajudam a preservar a sua identidade. Parabéns aos Ilheiros do GNU e ao Seara por mais este belo relato!
historiasderemador · 23 de agosto de 2025 às 10:38
Estamos juntos meu voga