Tornar comum

Quinze mil acessos ao canal doYouTube. Quase três mil horas de exibição. Trezentos novos inscritos. Uma maratona de vinte e cinco horas de transmissão durante quatro dias de competições. Campeonato Brasileiro Interclubes de Jovens Talentos do Remo e Copa Sul Sudeste.
Cansado. Exausto, mas feliz. Um dia vi meu pai como dirigente, organizando eventos de remo. Eram mais do que simples regatas. O atleta merece respeito, nossa reverência. Ele merece ser visto, aplaudido e prestigiado. Há quarenta anos a televisão era o único meio para se transmitir eventos esportivos ao vivo. Hoje em dia temos o YouTube. Por que não o fazer? É difícil, requer equipamentos, mas acima de tudo é necessário vontade, e de vez em quando, ousadia. Há três anos na mesma Ilha do Pavão, naquele mesmo canto após a linha de chegada, posicionei meu antigo notebook e uma câmera de mão.
Ousei novamente, investi pesado, com recursos próprios em câmera, lente zoom, notebook, microfones e para ousar ainda mais, contratei o Anderson Feyh do Floripa Foto para fazer malabarismos aéreos com seu besouro que capturou imagens belíssimas com extrema qualidade, para deleite de uma nação de mães e pais espalhados nos quatro cantos do país, ávidos por notícias dos seus filhos que treinam e se esforçam muito.
A internet disponibilizada pela organização do Grêmio Náutico União, na figura do seu gerente da Ilha, o Ralf, em conjunto com a Federação de Remo do Rio Grande do Sul, REMOSUL e a Confederação Brasileira de Remo, CBR, foi fundamental para o sucesso da transmissão, literalmente.
Ouvi do Fialho, árbitro da CBR, presidente do Júri, as palavras: “Santo Seara”, se referindo aos vídeos transmitidos e gravados no Canal, utilizados para dirimir dúvidas de guarnições que remaram em águas vizinhas sem a devida permissão. Este fato me arremeteu ao texto escrito por mim, intitulado “O lobo de Wall Street”1, filme que cita a máxima: “vender é criar necessidades”.
Recebi inúmeros elogios do streaming realizado, mas deixo a vaidade de lado e exploro o comentário de Roberto M Dall’Agnol: “ao narrador, falta mais dinâmica, falar de todos os barcos competidores em cada uma das competições… quem assiste não consegue identificar…” Para mim, foi de grande utilidade.
Comunicar vem do latim comunicare, tornar comum. E isso me lembra do que meu pai me disse momentos antes da famosa Live Momento Pai e Filho, “temos que falar do remo para os outros, e não para nós mesmos”. Cada evento para mim é um momento de muita emoção, mas no fundo é sempre um aprendizado.
- Este texto não está mais disponível no site, pois foi editado e publicado no livro ↩︎
4 comentário
Renato Müller · 3 de novembro de 2025 às 12:32
O que razes ao mostrar a competição é algo importante para o nosso esporte. Magnífico trabalho. Permita que eu acrescente um tópico às tuas palavras…. Da mesma forma que os atletas merecem inúmeros elogios, não se pode esquecer de elogiar técnicos e muitos diretores, que não recebem medalhas, mas são co-responsáveis pelo sucesso dos atletas.
historiasderemador · 3 de novembro de 2025 às 21:23
é verdade!
Anderson Paixão · 3 de novembro de 2025 às 16:28
Meus Parabéns mestre Seara! Foi muito bom poder acompanhar ao vivo o que estava acontecendo no campeonato.
Tu mostras e confirma que quem quer faz!! Não pode ter desculpas! E a muitos esportes náuticos vai a crítica. Por que não divulgam mais o esporte?
historiasderemador · 3 de novembro de 2025 às 21:27
Obrigado Anderson