Casa de praia e ciclone

Publicado por historiasderemador em

Por Cesar Seara Neto

Enquanto pessoas de uma cidade inteira do Paraná, devastada pelo ciclone que assolou o sul do Brasil chorava suas perdas, inclusive vidas, remadores master se lamentavam na capital dos gaúchos do mau tempo. No primeiro dia debaixo de chuva, atletas com mais de vinte e sete anos de idade disputaram uma enormidade de provas, interrompidas de forma sábia no sábado, segundo dia, devido aos fortes ventos que sopraram na madrugada, se estendendo até o final da manhã.

Os restaurantes do mercado público agradeceram. A raia fechada deslocou naturalmente famintos atletas sentados ao redor de extensas mesas felizes. O remo master é isso: reencontrar amigos antigos e descobrir os novos.

Planejamentos que não ocorrem causam desconforto e frustração. Decisões precisam ser tomadas. Avaliações são feitas. Pessoas são ouvidas, pontos ponderados. A solução foi antecipar em meia hora o início já apertado das competições, descer as provas de domingo e logo após as de sábado, tudo na mesma manhã, se estendendo uma hora mais além do planejado.

O resultado foram disputas acirradas, jovens maduros, outros maduríssimos, cansados, exaustos, mas felizes. Ostentavam o chacoalhar dos metais balançando no pescoço, conquistados com muito treino e dedicação. Interessante notar a evolução de atletas que já iniciaram o esporte como master, dividindo a raia com ex-atletas olímpicos, só eu contei três, sem falar nos campeões panamericanos.

A presença do patrono do Grêmio Náutico União há que ser destacada. Com dois anos e um século de idade, Biedermann distribuiu sorrisos, simpatia e apertos de mão enquanto caminhava tranquilamente pela “sua” bela Ilha do Pavão. Superou em idade ao Odilon Maia Martins, com seus noventa e seis anos, o remador mais antigo em atividade no mundo. Quando teremos estes dois num double skiff?

Perdi o horário da minha primeira prova do domingo, penalizando meus companheiros do barco, Ana Vida, Sharif e Suzi. Meu pedido de desculpas público. Tentei conectar os equipamentos para mais uma transmissão, mas me atrasei. Agradeço os que me apoiaram em mais uma empreitada, Diguinho e Anderson como narradores voluntários, e aos patrocinadores da União Gaúcha de Remadores, que competiram muito mais contra as lembranças de dias difíceis vividos durante as enchentes, do que as suas provas em si. De certa forma, estes sponsors contribuíram também para que a transmissão acontecesse.

Certa vez ouvi que mais importante do que ter uma casa de praia, é ter um amigo que a tenha. Para conseguir em cima do laço, viabilizar imagens ao vivo, que poderiam ter sido melhores, tive que recorrer aos amigos “que tem casa de praia”. A fotografia do Leonardo Adiers que ilustra este texto é um exemplo, de que com amigos, tudo fica mais fácil, ainda que seja difícil.

Créditos Leonardo Adiers – REMOSUL/CBR

Obrigado especial aos clubes que vieram de tão longe com equipes fantásticas, Amazonia (AM), Guajará de Belém (PA), Náutico do Recife (PE), União de Natal (RN), Minas Brasília e ASBAC (DF), AMARES (ES), Piraquê (RJ), Corinthians, Bandeirantes e Paulistano (SP), Curitiba (PR), América, Martinelli e ARMASC (SC), e a TODOS que trabalharam para o sucesso do evento.

Amanhã, dia 12/11 uma resenha especial para conhecer um pouco dos bastidores da transmissão.

Categorias: Crônicas

4 comentário

Antonio Ricardo Lanfredi · 11 de novembro de 2025 às 17:29

Como contador de Histórias, voce está se saindo melhor que a encomenda 💯

Acácio · 11 de novembro de 2025 às 18:10

Muito legal a abordagem sobre o histórico e simpático patrono do Grêmio União.

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