Só dói quando respiro

O ano no Clube de Regatas Guaíba Porto Alegre só acaba após a Regata interna Kaiser. Para mim acabou neste sábado. Não foi porque Leandro “Sepultura” e Lourenço “Zero um” foram os escolhidos para dar continuidade na gestão do Clube de remo mais antigo do Brasil.
O sábado de fim de primavera amanheceu com nuvens que perderam a luta para o sol que chegou trazendo calor. Uma brisa tentava nos incomodar, mas não fez cócegas n’água, tampouco ondas, é tudo o que um remador quer. Professor João nos brindou com belos vídeos e recomendações.
Fizemos a simulação da Kaiser. Descemos quase quatro quilômetros dando nosso melhor. Acho que deixei tudo que eu tinha no Skiff, e só no ano que vem conseguirei dar sequência aos treinos que tanto venho me esmerando.
Ao encostar na rampa senti o peso de seis décadas de existência. Manobrei o Skiff e cheguei encostando o boreste. O barco ficou afastado uns vinte centímetros. Puxei o remo do bombordo, largando o peso dele na rampa, assim quando desço, evita que o barco vire para dentro d’água, o peso dos remos serve de trava.
Minha trava falhou. Os joelhos castigados têm sido meu ponto frágil quando eu me sento e me levanto do barco. Ao dar o passo em direção a rampa, o barco se afastou e fiquei com o passo menor do que o vão. O pé não atingiu as tábuas, mas sim a canela, em seguida a lateral do corpo. Não sei como, mas num impulso saí d’água. A dor dessa batida eu senti quando inspirei.
O olhar baixo tentando encontrar o orgulho que se desfez por baixo da rampa, encontrou apenas o líquido vermelho correndo pela canela. Espremi as laterais do corte que se mostrou profundo. Pensei, mais suturas no corpo rico em cicatrizes. Tomara que não tenha quebrado a costela, mas no fundo eu já sabia disso.
Mesmo quando tudo dá errado, sempre temos aquela pessoa de fala mansa, que é pequena em tamanho, mas gigante para te ajudar quando você mais precisa. Essa é a Doutora Suzi, médica experiente, sempre solícita, uma grande amiga. Ela vaticinou: Vamos dar uns pontos e tirar um raio X. Me colocou no banco de trás do seu carro e me conduziu até a clínica. Antitetânica aplicada, pontos na canela e a recomendação para ficar em repouso até a costela soldar.
Aqui minha gratidão a Suzi. Agora é relaxar e deixar o organismo se recompor e agradecer por um ano que tem sido muito bom. Na LIVE de fim de ano faremos a famoso retrospectiva.
Relembrando que o Natal está próximo, e ainda temos livros para serem adquiridos, você que lê este texto, merece dar um presente para si mesmo, nada melhor do que uma boa leitura! Me chama pelo WhatsApp.

7 comentário
Joaquim Ameba · 6 de dezembro de 2025 às 22:29
Como diria meu amigo Mário: fruta que caiu!
Qualquer um de nós pode passar perrengue ficando em casa segurando o controle remoto ou o celular, com o passo em falso ou, como diria o mané, “uma arrabada na beirada”, é possível no banheiro, mas no teu caso foi resultado da persistência e a paixão pelo remo, as marcas ficam, mas ano que vem tens mais dores e afetos em profusão.
Se linear e constante fosse a vida, seria chata e sem graça.
Puxando o genial e simples Ariano Suassuna, história que dá tudo certo ninguém quer ler ou ouvir.
Ricardo · 7 de dezembro de 2025 às 00:10
Bah parceiro, que lástima!! Aquele 2- maravilha vai ter que ficar para a Kaiser do ano que vem. Boa recuperação!!!
historiasderemador · 11 de dezembro de 2025 às 17:23
ano q vem seremos categoria F, de “f.”
Acácio · 7 de dezembro de 2025 às 07:40
Que grande susto, Seara!
historiasderemador · 8 de dezembro de 2025 às 08:50
Eu suprimi outra parte importante do relato, por economia e preguiça. Depois de deixar a água correr por cima do corte e as famosas apalpadas que os médicos dão para ter certeza da profundidade, eu me levantei do banquinho. Sentir dor e ver o fluído que corre em nossas veias, costuma diminuir a oxigenação no cérebro, deixando o vivente mais pálido. O amigo Lucas Claudino perguntou se eu estava bem, mas não acreditou na minha resposta positiva, me levando uma xícara de café quente e biscoitos doces para aumentar a circulação e devolver a minha cor. Foi ele também que foi até a rampa me perguntar se eu estava bem. Acho que não respondi, ou se o fiz, devo ter sido grosseiro.
Lucas Claudino · 8 de dezembro de 2025 às 12:41
Salve Seara! Na verdade tu não falou nada, só deu uma olhada meia boca e ficou quieto, o silêncio foi esclarecedor. Ainda bem que o açúcar ajudou a recuperar um pouco a energia!
historiasderemador · 11 de dezembro de 2025 às 17:23
bem observado