Gruß an die Kaiserin

Publicado por historiasderemador em

Por Cesar Seara Neto

Não sei se o que pretendo discorrer são descobertas para mim ou constatações despercebidas. Para um remador é mais fácil remar do que falar bem do esporte. O sacrifício para se treinar deve ser valorizado, mas no fundo o que o remador quer é poder sorrir.

A vitória é motivo de sorrisos, a medalha, uma consequência. Há quem valorize mais a medalha do que a vitória. Aprendi a valorizar mais do que tudo, a superação.

As regatas internas são um dos melhores momentos num clube de remo. Lado a lado é o momento de se testar, medir forças com quem se treina todos os dias. Competir contra outros clubes é mais fácil, no dia seguinte eles talvez não estejam frequentando o mesmo ambiente, com aquele sorriso no rosto, o brilho no olhar, o silêncio que incomoda.

Perguntei aos mais antigos no GPA, quem havia criado a Regata Kaiser, evento interno que encerra as atividades do ano. Chacrinha dizia que na TV tudo se copiava. No GPA é parecido, ideias surgem da cabeça das pessoas ou copiadas de alguma fonte. Registrar é necessário, publicar ainda mais. Sempre haverá alguém mais capacitado para organizar fatos e dados para transformá-los em informação, permitindo perpetuar as histórias.

Como a minha canela e costela ainda não estão recuperadas, resolvi valorizar minha câmera, investimento pesado que fiz, ao alcance da minha mão, aliado a qualidade de amigo do coach, ganhei minha credencial para registrar inúmeras e belas imagens do último evento do ano.

O professor sabe trabalhar de forma anônima e silenciosa, convidando um a um, inclusive ex-atletas através de convocações irrecusáveis, no melhor estilo de Don Corleone. O resultado observado foi uma esquadra armada apenas com remos, composta por atletas das mais variadas idades e experiências dentro d’água.

Em terra a presença de quatro ex-presidentes do Clube e uma roda enorme de amigos apreciando os espetinhos do Restaurante Olga, assados na hora na brasa, ingerindo muitos canecos do líquido precioso, tirados na máquina que faz espuma na medida precisa, em temperatura fria para amenizar o forte calor de um verão que se inicia.

Uma disputa em particular com dois Four Skiff feminino partiu na quarta chamada, respeitando os handicaps calculados com extrema precisão. Num dos barcos as remadoras mais experientes, carinhosamente chamadas de “irmãs da mãe”. Prometi que não escreveria a palavra com três letras destes membros importantes das famílias. No outro, o futuro do nosso esporte, o que me move a escrever estes textos, as novatas deram suas pazadas e aprenderam que o caminho mais curto entre dois pontos é a reta. Dentro d’água costuma ser o mais rápido também.

A presença do Franco, remador do União aumentou o brilho do evento, mais um verdadeiro apaixonado pelo esporte.

Nesse ano fiz uma transmissão de uma regata, narrando a vitória de uma atleta dentre várias que sou fã, não apenas da sua remada e desempenho, mas da sua luta para conciliar os longos plantões como enfermeira e a sua dura rotina de árduos treinos, chegando a remar vinte quilômetros num Skiff, algo que não é fácil, ainda mais no ritmo dela.

O título da crônica segundo a mais famosa ferramenta de pesquisa da internet, é a saudação a Imperatriz em alemão, Kaiserin. No nosso caso, me refiro a Isa Greve, que largou forte valorizando seu handicap, ultrapassando quem havia partido antes dela, e resistiu até o final a tentativa do transatlântico Oito dos “ex-atletas” que remaram com força e valentia.

Ao final, o que vimos foram sorrisos.

Categorias: Crônicas

7 comentário

Franco Almada · 21 de dezembro de 2025 às 10:54

Seara, amigo do remo, apaixonado pelo nosso esporte!
Obrigado pelas palavras, obrigado pelas fotos!
Me senti honrado de poder participar dessa regata com rivais de longa data que são parte dessa grande família chamada Remo ❤️.
A todos amigos do remo, um saudoso Hip-Ha, Hip-Ha, Hip-Ha!

    historiasderemador · 21 de dezembro de 2025 às 13:54

    Ainda precisamos tomar aquele café para ouvir as tuas anotações sobre o livro.

      Franco Almada · 21 de dezembro de 2025 às 18:48

      Com certeza amigo! Tá tudo anotado aqui! Que o próximo livro se chame “Vida de Remador”!

Acácio · 21 de dezembro de 2025 às 11:09

Linda reflexão, Seara!

Sérgio Fleck (Pai Vida) · 21 de dezembro de 2025 às 11:25

Ótimo registro. Texto e fotos muito bons. Parabéns Seara. Quando não ganha remando, conquista nossa admiração pela força de conciliação 👏👏👏
Bom te ter como colega e amigo

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