Triple skiff

Publicado por historiasderemador em

Luana e William, os pais da menina que chegará

Por Cesar Seara Neto

A quantidade de remadores nos barcos a remo pode ser representada de forma matemática, através de uma progressão geométrica de razão dois e o primeiro elemento, a unidade. De forma prática podemos afirmar que a quantidade dobra de um barco para o outro.

Single skiff, um remador. Dois sem timoneiro e double skiff, dois remadores. No quatro sem timoneiro e four skiff, quatro. Terminamos com o oito gigante e seus oito componentes liderados pelo timoneiro, outrora chamado de patrão.

Quem pensa que remar é sempre a mesma coisa, se engana. Eu me enganei quando assumi que essa progressão geométrica representasse a verdade sobre os barcos a remo. A guarnição do Júpiter é composta por seis remadores. De onde veio esse padrão? Meia dúzia? Três pares? Sei que foram seis amigos que tiveram essa ideia. Se foi a mais acertada não sei, apenas sei que já dura nove décadas. Voltando a matemática, nove é o quadrado de três, ou como dizíamos no colégio, três vezes três.

Recebi um convite no início desse ano para remar um double misto. Não era uma remadora qualquer, mas uma jovem mulher que já pendurou quatro vezes consecutivas o ouro no pescoço, sendo a melhor dupla no dois sem timoneiro peso leve feminino do Brasil. Representaram muito bem o uniforme azul com detalhes verde e amarelo no Campeonato Mundial na República Tcheca. Quem não sente orgulho disso tudo?

Não foi a primeira remada que demos, e por isso eu sabia que todos os seus adjetivos seriam mais do que suficientes para mais um treino valoroso e proveitoso. E como foi.

Quando saíamos da rampa movimentada, perguntei se ela não participaria das seletivas que acontecerão a partir desta semana que se inicia. Com seu jeito tímido de quem fala de si, ouvi sua resposta:

– É que eu estou meio “gravidinha”.

O vô sentado na proa do barco, olhou para a voga e viu uma jovem mulher, ou uma menina madura, com o mesmo nome da minha primeira sobrinha Luanna. A futura mamãe tem um “N” a menos no nome.

Um sorriso se fez no meu rosto. O sangue circulou com mais velocidade, os olhos se umedeceram ativando o brilho de quem se lembrou de tantas emoções. Tantas vezes que torci por ela e sua parceira de barco, Isa, misturado com sentimentos que afloraram novamente em mim, como a lembrança da chegada do meu primogênito Paulo Cezar e tantos outros.

Foi a primeira vez que remei com uma mulher grávida!

O treino seguiu agradável, mas firme, com as pás sempre cheias, típicas de quem tem compromisso com o barco e não afrouxa nunca. Barco esse, dois terços misto, mostrando que sim, as mulheres já dominam o mundo.

Categorias: Crônicas

7 comentário

Joaquim Ameba · 22 de fevereiro de 2026 às 11:37

Teus textos e crônicas, que se inspiram no remo, contam histórias de vida, algumas que ganham significância com poucas palavras, outras nos mergulham nos detalhes que nos deixam ávidos para saber o final. Objetivo plenamente alcançado.
Escrevo como leigo capturado na proposta do Searão, do lado de fora, rindo, sorrindo e, por vezes, também me emocionando.
Não se trata apenas de leitura aprazível, mas de abrir janelas para universos que não estariam visíveis sem as tuas “lentes”.

    historiasderemador · 22 de fevereiro de 2026 às 11:42

    Amigo Joaquim, teus comentários ampliam as emoções.

      Acácio · 22 de fevereiro de 2026 às 16:28

      Grandes lembranças da tua linda família, Seara.

Lorena · 22 de fevereiro de 2026 às 12:37

Que emocionante Seara! Eu também fiquei mto feliz em saber que a nossa querida Lu está grávida! Bj.

Ricardo · 23 de fevereiro de 2026 às 21:26

Parabéns para a Luana e também para o escriba!

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