Tempo que se revela

O tempo que muitas vezes nos consome, se utilizado como um aliado poderá nos dar sabedoria. Poderemos enxergar entre as folhas, e decifrar coisas que estavam diante dos nossos olhos, mas não percebíamos.
Quando afirmo que minha maior contribuição para o remo foi ter trazido meu pai para o esporte, hoje li uma mensagem que aumentou minha convicção dessa minha tese. Como em muitas situações, meu pai age de forma silenciosa, mais observa do que fala. Os seus maiores ensinamentos aconteceram através de perguntas que nos faziam pensar. Construir respostas era o aprendizado, monitorado a distância, recheado de silêncio. Palavras lacônicas, apenas para manter o azimute alinhado.
Com o passar do tempo, suas idas ao clube nos fins de semana, aconteciam com o meu irmão Du, sendo carregado a tiracolo. Jogada de xadrez, ensaiada, pensando centenas de jogadas a frente. Aos poucos a criança se infiltrava na garagem e era consumida, absorvida por aquele ambiente contagiante.
Minha responsabilidade como irmão mais velho para ensiná-lo a remar o canoe com meus pés enfiados no lodo da prainha, foi uma atitude que aconteceu de forma espontânea, despretensiosa, mas que surtiu efeito, produzindo marcas naquela criança que se viu apaixonada pelo esporte.
O Du se formou em Educação Física, um professor de mão cheia. Até hoje quando dá suas primeiras lições aos aprendizes, essas ocorrem no canoe na prainha. Os pés, dentro d’água.
Hoje ao ler sua mensagem quando o double skiff feminino júnior se sagrou campeão sul-americano, ele me pergunta:
– Ana Clara e Linda, ensinei direitinho?
Respondam vocês.
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