Bled além do remo

Publicado por historiasderemador em

Quem pensa que Bled é um local exclusivo para quem quer remar num dos lagos mais lindo e famoso do mundo, se engana.

Uma cidade muito pequena, que vive ao redor do seu maior patrimônio, criado pela natureza, faz questão de se manter assim, mesmo com uma infinidade de turistas de todo o mundo desembarcando lá.

O principal meio de acesso é o carro. O trem chega perto. Avião na capital Ljubljana. Ainda assim vale a pena dirigir por estradas sinuosas e estreitas para quem veio da Áustria como nós.

Acredito ser essa vontade de se manter pequena, a maior atração de Bled. Para quem veio competir nas regatas de remo, isso se torna uma recompensa, para quem está de férias é o objetivo. As pessoas vivem despreocupadas. É fácil perceber que os habitantes não têm o stress dos grandes centros ditando o ritmo de vida.

Ruas estreitas e sinuosas são apenas um tempero para o trânsito local, que se mescla com bicicletas, muitas e até ônibus. Esperar a sua vez para passar em locais onde cabe apenas um veículo, é rotina e todos o fazem com paciência e educação.

Subir ao castelo, mesmo num dia de chuva, é um programa para lá de bom. A visão total do lago recompensa qualquer caminhada morro acima. Para quem estava sem carro como nós, não foi problema. Utilizamos o serviço de shuttle que o remo dispõe, por “apenas” setenta euros por pessoa durante o evento. No estacionamento ao pé do morro do castelo, utilizamos o meio de transporte mais barato que existe, o famoso dedão! O primeiro carro que passou era um casal da Estônia, nos deixou lá em cima.

Para quem esteve no Neuschwanstein, castelo na Alemanha, as proporções tem que ser consideradas, um coeficiente de redução há que ser aplicado a fim de reduzir a expectativa. O castelo é antigo e sofreu muitas agressões. A preservação não é aquilo tudo, mas história sempre é cultura, e ver o lago somente com seus próprios olhos para descrever.

Visitar a ilha onde existe a igreja é um passeio que somente o barquinho já encanta. Movido a remos por uns caras que parecem não fazer força, a nau que transporta quase vinte pessoas, se move na velocidade ideal. O fundo chato dá uma estabilidade e todas as condições de estar próximo aquela água verde. Impossível não colocar a mão. Barcos a motor são vedados. Aqui os exibidos de jet-ski não têm vez. Coisa de primeiro mundo.

As pessoas são outro ponto forte, simpáticas e recatadas como são os europeus, na grande maioria falam inglês, se comunicar na língua deles é algo impensável. Os preços são como nos demais locais da Europa, quem vem pensando em fazer contas, perderá além de tempo, a oportunidade de se divertir. Quem vai para a guerra não leva travesseiro, por isso economize no Brasil. Cartões são aceitos em quase todos os lugares.

Eu fiquei encantado com Bled. Morar ali deve ser uma massagem na alma. Não tem samba, mas a beleza vale a pena.

Categorias: Crônicas

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