Marquinhos, o guardião

Publicado por historiasderemador em

Por Cesar Seara Neto

– O que tu queres aqui?

Essa foi a recepção que o Magrão William Giaretton teve ao chegar pela primeira vez ao Clube de Regatas Guaíba Porto Alegre. O autor dessa frase sincera foi o Marquinhos Selbach. Nenhum dos dois imaginava que o Magrão seria um grande remador e defenderia o Brasil nos Jogos Olímpicos no Rio em dois mil e dezesseis.

Por trás dessa sinceridade havia no Marquinhos uma preocupação de quem zelava muito pelo GPA. Não sei como ele chegou ao Clube, quando comecei a frequentá-lo em dois mil e dezoito, ele já era patrimônio imaterial, um bem de valor intangível.

Eu sei que era um colaborador, estava mais para voluntário do que um prestador de serviços.  Para mim ele tinha uma das maiores qualidades que podemos ter: dizer a verdade. Fazendo jus a sua origem germânica existiam somente duas situações para ele, bom e não bom ou certo e não certo.

Ele partiu enquanto eu estava viajando. A mim me restou apenas ler a triste notícia de sua passagem num quarto de hotel. A Gica estava comigo.

Marquinhos me pediu para irmos a casa do Julio Sauressig, um dos sócios mais antigos do GPA. O objetivo era gravar o depoimento desse remador que tem muitas histórias. O material foi gravado, mas editar quase duas horas de muito conteúdo é algo que precisa ser feito com esmero. Essa dívida eu terei que quitar com esses dois. Promessa é promessa.

Estive revendo uma reportagem que fiz, assim denominada pelo Marquinhos, sobre o retorno do Júpiter à água, após as enchentes de dois mil e vinte e quatro. O ponto central era a guarnição mais antiga do mundo, porém, prestando atenção, percebi que o vídeo se tratava e homenageava o Marquinhos, o verdadeiro líder do processo. Desde então ele se dirigia a mim com um sorriso no rosto.

No domingo, onze de outubro, muitos amigos e familiares se reuniram na rampa do GPA para lançar no Guaíba suas cinzas. O Júpiter não entrou na água devido ao clima e ao nível do rio, noutra oportunidade a cerimônia na Ilha completará o ritual que ele desejava. Os cafés na Ilha não serão mais os mesmos.

Categorias: Crônicas

2 comentário

Juscelino Nunes · 25 de outubro de 2026 às 16:49

Linda história

Antonio Ricardo Lanfredi · 25 de outubro de 2026 às 20:58

Bela homenagem.
De emocionar.

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