Quem vence as eleições?

Publicado por historiasderemador em

Por Cesar Seara Neto

Enquanto o Brasil se alvoroça, as pessoas saem às ruas gritando palavras de ordem em prol do seu candidato, eu me calo e sento a frente do meu caderno de páginas macias que aceitam minha escrita.

Eu já escolhi o meu candidato. Essa minha opção é o resultado construído dia a dia, fruto de ações simples, até mesmo triviais, mas é justamente a obviedade que nos leva a confiança. Viajando com a minha esposa, descobri a importância dessa palavra. Não existe fórmula matemática para que ela aconteça.

Confiança combina e anda de mãos dadas com a verdade. Embora a certeza seja uma palavra deveras forte, a escolha de um candidato é sempre uma aposta. A nossa vida é o resultado das nossas escolhas. As minúcias que me levaram a revelar o meu candidato são minhas e talvez não consiga exprimi-las, mas eu voto no remo.

O remo não mente. Ele revela quem pode suportar a pressão ou não. Ele favorece quem trabalha, dentro e fora d’água também. Ele não permite o sucesso de pessoas egoístas, que não sabem trabalhar em equipe, ainda que remem seus barcos solitários. É o remo, o esporte dos barcos que nos prova que são as pessoas que importam. Com suas peculiaridades, a soma delas ainda que não seja aritmética, é o que possibilita o sucesso. Mas o que é o sucesso, se não o autoconhecimento para superar a si próprio?

É o remo que nos mostra nossa importância no coletivo e ao mesmo tempo, nossa insignificância se estamos isolados no conjunto.

Eu gosto de me alimentar de bons sentimentos, me dá mel na boca como dizia meu pai. Meu melhor alimento é ouvir da juventude que rema, seus sentimentos quando estão remando. Não importa o sotaque, a alegria das crianças e adolescentes narrando com timidez ou euforia suas dificuldades para atingir o seu máximo é reconfortante. Nós adultos deveríamos aprender a ouvi-los mais, entendê-los, assim conseguiríamos tocar seus corações com a mesma paixão que já tocou os nossos.

Compartilho duas resenhas sobre o campeonato mais importante do calendário brasileiro, o Jovens Talentos.

Fica a pergunta, quem mais precisa ser ouvido?

Categorias: Crônicas

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