JOVENS TALENTOS DO REMO – uma inspiração que virou legado

Publicado por historiasderemador em

Por Renata G. M. Esmanhoto

Qualquer interessado em pesquisar sobre o Campeonato Brasileiro Interclubes Jovens Talentos do Remo encontrará, no Google, a informação de que o campeonato teve início em 2017.
Contudo, o moderno sistema de pesquisas não consegue, às vezes, trazer todo o contexto.
Essa história de remador, foi escrita com base nas palavras de Marcelus Marsilli, o KBÇA, que gentilmente, conversou comigo sobre o início do campeonato que vivenciamos nesta semana e é mais uma maneira de uma interessada no assunto procurar conhecer o remo brasileiro, seus personagens, suas origens. Vamos lá!
As histórias nem sempre se iniciam com uma medalha, algumas começam com uma ideia e assim foi com o Jovens Talentos, que nasceu depois que um grande atleta inspirou seus treinadores a sonhar com a possibilidade de haver muitos outros remadores como ele no Brasil.
Ao acompanhar a trajetória de esforço e de vitórias de Marcelus, seus treinadores Paulo César Prass e José Ricardo Conttieri desejavam que o remo brasileiro tivesse mais atletas de tal nível: jovens dispostos a treinar, competir e chegar em alto nível no alto rendimento e, assim,
tiveram a iniciativa de realizar a primeira regata de menores no Grêmio Náutico União.
A história do CBI Jovens Talentos confunde-se com a do atleta Marcelus Marsilli que, aos 16 anos, disputou seu primeiro Campeonato Brasileiro, sagrando-se Campeão, e passando a compor a seleção brasileira, tornando-se Campeão Sul-americano, também aos 16 anos!
A presença do jovem atleta em Mundiais, Sul-americanos, Pan-Americanos (inclusive, ele é o maior medalhista do remo em tal competição), e nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, foi consequência.
Foi essa trajetória vencedora que inspirou, em 1998, a criação da Regata Marcelus Marsilli, inicialmente dedicada a provas de skiff e realizada pelo Grêmio Náutico União, como uma homenagem ao atleta.
Mas a homenagem cresceu.
No segundo ano, já eram mais de trinta jovens inscritos. Vieram os barcos duplos, depois os coletivos, novas categorias, novas provas e a participação das mulheres. A repercussão, tão positiva, fez com que aquela pequena regata ganhasse outra dimensão.
Nascia o Campeonato Jovens Talentos, mantendo o nome de Marcelus em seu troféu.
E existe algo muito simbólico nisso: o atleta que inspirou seus treinadores a desejar mais atletas como ele, passou a dar nome justamente a uma competição destinada a formar a próxima geração.
Talvez por isso uma frase de Marcelus resuma tão bem toda essa história:
“O desejo dos meus treinadores era o de formar remadores. Formar campeões seria consequência.”
O objetivo nunca foi apenas encontrar o próximo campeão. Era o de manter crianças e adolescentes no esporte, dar-lhes experiência, criar uma meta, uma grande competição no calendário e uma escada de aprendizagem para o Campeonato Nacional.
Porque antes de existir um campeão, existe uma criança que precisa aprender a remar, a competir, a perder, a persistir e, principalmente, a querer voltar no dia seguinte.
O Jovens Talentos foi crescendo porque a própria ideia evoluiu e passou a integrar uma estrutura nacional de formação, tanto que passou a fazer parte do calendário oficial da nossa Confederação Brasileira de Remo e, em razão da sua importância, passou a contar com o apoio do Comitê Brasileiro de Clubes.
Até mesmo quando as condições eram adversas, a essência do Campeonato permaneceu. Em 2023, as enchentes do Rio Guaíba impediram a realização da competição na água. A solução foi adaptar o formato e levar o campeonato para o remo indoor. O objetivo continuou o mesmo: garantir que aquela geração tivesse a sua grande competição anual.
Hoje, Marcelus está do outro lado da história: o atleta tornou-se treinador e formador. Aquele que um dia inspirou seus técnicos passou a formar novos atletas.
Talvez Marcelus não imaginasse, em 1998, a dimensão que aquela homenagem alcançaria.
Passados quase vinte anos, a primeira regata parece seguir em curso.
Ela continuou em cada criança que entrou em um barco, em cada treinador que preparou um atleta, em cada família que apoiou um jovem, em cada clube que decidiu investir na formação, em cada atleta que ele formou e hoje também inspira crianças e adolescentes no remo.
Em 1998, nasceu uma homenagem.
Depois, nasceu uma competição.
E a história mostra que o CBI Jovens Talentos é o legado da valorização de um grande atleta.
E talvez essa seja a maior homenagem que alguém dedicado ao remo poderia receber: ver seu exemplo continuar remando por meio de outras gerações.
Formar remadores. Os campeões são consequência.

Na foto Marcelus Silva, o KBÇA, Campeão Brasileiro em 1986 aos dezesseis anos. Arquivo pessoal

Categorias: Crônicas

0 comentário

Deixe uma resposta

Espaço reservado para avatar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

pt_BRPortuguese