Como uma onda

Publicado por historiasderemador em

Por Cesar Seara Neto

Conheci uma senhora que se despediu de um filho quando ele tinha apenas dezessete anos. Ela era evoluída no plano espiritual. Não existe dor maior para uma mãe, do que a perda de um filho, isto é inegável. Porém, quando falamos sobre o assunto, ela me disse que preferia agradecer o tempo que passou ao lado dele, a ficar se lamuriando pelos cantos a sua perda.

Desde então eu procuro viver a vida valorizando os ciclos positivos, de forma a preencher os espaços vazios que as ondas negativas costumam nos deixar.

Não citarei o nome de mais uma amiga que o Remo me deu, mas vou relembrar os bons momentos de braço de Tiranossauro Rex em que convivemos, sonhando um esporte maior e melhor.

Nossas vidas são divididas em fases, ciclos ou etapas. Há quem diga que somos nós que as criamos, outros dizem que fazemos parte destes ciclos.

Recebi com tristeza uma notícia que vinha sendo anunciada, há algum tempo.

Eu vou me afastar por um período indefinido.

Ela entrou para o esporte já como Master, originária da natação, espírito competitivo, sempre treinou duro. Nas regatas era muito aguerrida.

Minha primeira vitória depois que voltei a remar, já como Master, foi numa guarnição mista da qual ela fazia parte. Quando viajamos para a minha primeira experiência fora do país, tive o privilégio de sentar ao seu lado, pensativa e distante como uma longa viagem de ônibus requer. Aos poucos o papo começou a fluir, a amizade começou a crescer.

De uma sensibilidade muito grande, graças a sua capacidade em observar, de forma natural, passou a exercer seu papel de líder, puxando responsabilidade para si. Foi graças a ela, que comecei a entender o que é ser um Gepeano. Não é somente vestir a camisa do GPA, sentir orgulho da Estrela Guia que se carrega no peito. É algo indefinível, difícil até mesmo de descrever nos inúmeros exemplos que conheci no Clube.

Nós dirigentes amadores, no sentido lato da palavra, que amam o esporte como diria Ana Helena Puccetti, também somos humanos e nossas necessidades básicas não são providas de forma mágica. A comida não chega à nossa mesa de graça, muitas vezes é necessário plantar e criar nossos alimentos. Ela que está lendo isto, deve estar dando risadas.

Ouvi uma frase dela ao meu respeito, quando entrei para o Clube:

– Baita aquisição para o GPA.

Eu digo o mesmo a ela, agora que está trilhando a sua vida fazendo o que gosta, semeando o seu futuro:

– Tu és uma baita aquisição para o GPA.

Teremos toda a paciência e resiliência relembrando os bons tempos que aqui passamos juntos, mas uma lágrima furtiva cismou em molhar estas linhas.

Até breve


2 comentário

Joaquim Ameba · 16 de fevereiro de 2024 às 15:47

A vida nos brinda com esses encontros, com essas puxadas para cima. De apressados, não percebemos e deixamos de valorizar o que fizeste com brilhantismo neste texto carregado de afeto e reconhecimento.
Sim, tem pessoas que cruzam nosso caminho e mudam nossa vida, nos elevam.

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